Não esteve presente neste casamento, embora fosse viva, a bisavó Armanda Gómez Cummings Miranda, mãe de minha avó Dyrce Peralta. Nascida Armanda Gomez Cummings, em 24/08/1889, em Gibraltar, território britânico encravado na Espanha, onde seu pai, Francis Cummings, era oficial do Royal Army. Casou-se com meu bisavô, o capitão-de-fragata Álvaro Miranda (passou à reserva no posto de contra-almirante), oficial da Marinha do Brasil, nascido na Bahia, em 23/09/1882. Este bisavô, casou-se duas vezes, algo incomum no passado, sendo o seu segundo casamento com Isaura Miranda, quem criou minha avó, e assim, de fato, tive cinco bisavós. Destas não possuo nenhuma foto, nem do bisavô Miranda.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
As Damas de Ouro Reunidas em 20/01/1961
Não esteve presente neste casamento, embora fosse viva, a bisavó Armanda Gómez Cummings Miranda, mãe de minha avó Dyrce Peralta. Nascida Armanda Gomez Cummings, em 24/08/1889, em Gibraltar, território britânico encravado na Espanha, onde seu pai, Francis Cummings, era oficial do Royal Army. Casou-se com meu bisavô, o capitão-de-fragata Álvaro Miranda (passou à reserva no posto de contra-almirante), oficial da Marinha do Brasil, nascido na Bahia, em 23/09/1882. Este bisavô, casou-se duas vezes, algo incomum no passado, sendo o seu segundo casamento com Isaura Miranda, quem criou minha avó, e assim, de fato, tive cinco bisavós. Destas não possuo nenhuma foto, nem do bisavô Miranda.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Alferes Ludgero José Villet, o Primeiro do Seu Nome - 1799
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| Gazeta de Lisboa - 02/08/1799 |
Sei, por certidões obtidas em minhas pesquisas, que o pai da trisavó Maria Adelaide de Burgos Chapuzet Villet, casada com o trisavô Antonio Botelho Peralta, chamava-se Ludgero José Villet, nascido na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa. O pai deste Ludgero, também, tinha o mesmo nome, Ludgero José Villet o qual, conforme consta do registro batismal, já havia falecido quando foi batizado seu filho homônimo na igreja de Santa Catarina, em março de 1805. A esposa deste primeiro Ludgero chamava-se Marianna Gertrudes Chapuzet, que era irmã do brigadeiro João da Matta Chapuzet, o qual criou o sobrinho órfão de pai e, provavelmente, sua irmã, como se seus filhos fossem.
O decreto acima revelou, para minha grata surpresa, que este primeiro Ludgero José Villet, ou seja, o avô de Maria Adelaide de Burgos Chapuzet Villet Peralta era, igualmente, oficial do exército português e, em 1799, ocupava a patente de Alferes, nas funções de quartel mestre** e secretário do Regimento de Milícias do Termo da Corte da parte Occidental, com o soldo de "10$000 por mez". Seu filho, mais tarde, seguiria seus passos no Exército, numa carreira heroica e turbulenta (vide post), até o posto de Capitão, no qual foi reformado compulsoriamente, por motivos políticos, por ato da Junta da Patuleia.
Nada sabia sobre este tataravô até agora, a não ser o seu nome, que consta do termo de batismo do seu filho homônimo. Nada sei ainda sobre sua vida pregressa, nem sobre sua morte prematura, provavelmente jovem e, talvez, ainda ocupando o posto de Alferes, naqueles tempos tormentosos das guerras napoleônicas. Por ora, ficam as dúvidas a serem esclarecidas em pesquisas futuras.
* Em minhas pesquisas encontrei três pessoas da família com o nome Ludgero José Villet: o avô, o pai e um irmão da trisavó Maria Adelaide de Burgos Chapuzet Villet Peralta. Seu pai nasceu em 1805, mas, desconheço o ano do seu falecimento. Seu irmão faleceu no Rio de Janeiro em 1884, aos 43 anos de idade, o que permite concluir que nasceu em 1841. Quanto ao avô de Maria Adelaide, tenho a informação que acabo de encontrar acima, além do registro de que já havia falecido antes de março de 1805, quando seu filho homônimo foi batizado.
**quartel-mestre: s. m. || oficial que tinha a seu cargo a recepção e a distribuição dos fundos nos corpos do exército, sob a inspeção do conselho administrativo dos mesmos. || (Dicionário Aulete online)
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
A Família Soffiatti e o Mês de Novembro - 1873, 1880 e 1890
Guerino Soffiatti - 1901 - Fotografia Volk
Guerino Soffiatti - ca. 1910 - Fotografia Volk
Os bisavós Rosa Klüppel Soffiatti e Guerino Soffiatti, com suas filhas: a caçula, minha avó Olga; Leonor; Helena Carolina; e Geny, a filha mais velha (da esquerda para a direita). Não estão na foto os três outros filhos: Amanzor, Dalila e Nicolau. A foto é de 1920, defronte à casa da família Soffiatti em Itaperuçu (PR) e pertencia ao acervo de minha avó Olga Soffiatti Biscaia.
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
Rosinha e Willy Klüppel
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| Fotógrafo H.A.Volk - Final da década de 1880 |
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| 1901 |
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| 1909 |
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Termo de batismo dos gêmeos Rosa e Guilherme Klüppel, na Catedral de Curitiba, em 10/11/1884. |
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
A Família Soffiatti e Guaratuba: Uma História de Amor à Primeira Vista
Naqueles tempos chegar a Guaratuba era uma aventura que durava quase um dia inteiro de viagem e começava por trem, através da ferrovia Curitiba-Paranaguá. Inicialmente, era preciso ir de navio de Paranaguá até Guaratuba. Em 29/07/1927 foi inaugurada a "estrada da Praia de Leste" que permitiu a ligação de Paranaguá às praias do futuro balneário de Matinhos. A partir de então era possível ir de "diligência" (como era chamado um ônibus tipo jardineira) de Paranaguá até Caiobá, sendo que o trajeto entre a Praia de Leste e Matinhos se fazia pela faixa de areia dura, à beira mar, durante as vazantes da maré. Dali, a travessia da baía até a cidade de Guaratuba era por meio de canoas e, mais tarde, em lanchas. (Vide o post "Em Guaratuba...")
sábado, 8 de agosto de 2020
Os Irmãos Chalbaud Biscaia
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| Em pé: João e Antonio Chalbaud Biscaia. Sentados: meu avô Mário; Evaristo e Narciso Chalbaud Biscaia. (Foto de fins da década de 1920). |
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| Maria José (Zezé) Biscaia de Macedo. |
Os irmãos Chalbaud Biscaia, filhos de Josefina (Finita) Chalbaud Biscaia e João dos Santos Biscaia. Todos nasceram em Curitiba e residiram na rua Dr. Pedrosa, 203, em casa ainda existente no local. Tiveram destacada atuação na capital e no Paraná, em suas atividades privadas ou em cargos públicos.
João Chalbaud Biscaia foi diretor regional e conselheiro do grupo Matarazzo, além de procurador da família Matarazzo no Paraná, por mais de cinquenta anos. Foi presidente da Associação Comercial do Paraná, por dois mandatos.
Antonio Chalbaud Biscaia foi advogado, professor universitário, procurador-geral do estado e de justiça, secretário de estado e deputado federal pelos antigos PTB e PSD do Paraná, entre outros cargos públicos.
Evaristo Chalbaud Biscaia era advogado e foi vereador em Curitiba. Foi, ainda, procurador-geral do extinto IAPC (hoje parte do INSS), no Rio de Janeiro.
Narciso Chalbaud Biscaia foi, por anos, gerente da fazenda Curitiba, empreendimento modelo, pertencente à empresa Leão Junior S/A, em Jacarezinho (PR).
Mario Chalbaud Biscaia, meu avô, era comerciante. Membro da Junta Comercial do Paraná e um grande entusiasta do futebol e do associativismo. Foi um dos principais dirigentes do Clube Atlético Paranaense e um dos fundadores da Associação Paranaense de Reabilitação (APR) e do Iate Clube de Guaratuba. A sala de sessões plenárias da Junta Comercial do Paraná tem o seu nome.
Na foto ao alto não está o irmão caçula, que aparece na outra foto: Frederico Chalbaud Biscaia, médico radiologista e alto dignitário da Maçonaria paranaense. Foi um dos pioneiros da cidade de Maringá, no norte do Paraná.
Além dos irmãos, havia uma irmã, Maria José (Zezé) Biscaia de Macedo (foto do meio) casada com Tobias de Macedo Junior, ambos padrinhos de minha mãe.
sábado, 13 de junho de 2020
A Festa de Santo Antônio em Tranqueira - 1926
| Convite para a festa de Santo Antonio, publicado no jornal O Dia, em 03/06/1926 |
Para relembrar as antigas festas juninas desta data, encontrei um convite da festa do glorioso Santo Antônio de 1926, na capela consagrada ao mesmo na vila de Tranqueira, então uma localidade de Rio Branco do Sul, próxima a Itaperuçu, onde meus bisavós Soffiatti tinham uma propriedade rural e comércio de secos e molhados. A velha capela da foto ruiu em 1994 e no seu lugar foi construído um novo templo de arquitetura moderna. Atualmente, o bairro de Tranqueira pertence ao município paranaense de Almirante Tamandaré, situado na região metropolitana de Curitiba.
No convite assinado, entre outros, pela bisavó "festeira" Rosinha Soffiatti, há referência à casa deles em Curitiba, na rua Conselheiro Barradas, 112 (vide post) (atual presidente Carlos Cavalcanti) onde meu bisavô Guerino Soffiatti receberia as doações de prendas para a grandiosa festa, que aconteceria logo após a santa missa, com "excellente banda de música" e uma "grande churrascada".
O convite é também subscrito por outros "festeiros" com sobrenomes de famílias italianas tradicionais daquela região: os Chimelli e os Stocchero, estes últimos aparentados da família Soffiatti, por casamento: a tia avó Dalila Soffiatti casou-se em 05/02/1921 com Pedro Stocchero, filho de Anna e Antonio Stocchero.
Outra referência curiosa é o "trem especial" que levaria os convivas à festa, partindo às 8:30h do dia 13 de junho da estação central de Curitiba, e retornando à Capital às 17 horas. O convite avisa que o comboio iria parar "em todas as estações e plataformas" do trajeto até Tranqueira. Naqueles tempos, as ferrovias ligavam todas as principais cidades e muitas pequenas localidades do Paraná e do Brasil.
Neste ano de 2020, quase 100 anos depois, nossas belas festas juninas com seus animados "arraiás da roça" serão apenas saudosas lembranças do passado, devido à pandemia da Covid-19 que ainda persiste no Brasil. Viva Santo Antonio, neste dia especial!!! Que sempre nos proteja e guarde!!
terça-feira, 26 de maio de 2020
O Dirigível Hindenburg em Curitiba - 1936
sábado, 11 de abril de 2020
O Atleta Número 1 do Tijuca Tênis Clube e o Troféu Peralta
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| 1956 |
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| 1966 |
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| 1936 |
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| 1936 |
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| 1936 |
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| Convocação da seleção carioca de basquete em 1934 |
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| Convocação da seleção carioca em 1935 |
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
Família Klüppel Soffiatti: Uma Casa e Quatro Gerações
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| Ata da sessão da Câmara Municipal de Curitiba que concedeu a carta de data do terreno para Nicolau Klüppel, em 1862. |
| Relação das sapatarias de Curitiba - Almanak da Província do Paraná - 1876 |
| Anúncio da oficina de ourives de Frederico Schnell em O Dezenove de Dezembro - 1866 |
Na sua vizinhança residiam famílias descendentes de germânicos, quase todos aparentados com meus trisavós e bisavós: do lado oposto da rua Mateus Leme, esquina com a mesma Carlos Cavalcanti, residia a família de Rosinha e Conrado Bührer Junior (que eram sogros do tio avô Amanzor Soffiatti). Do outro lado da atual rua Carlos Cavalcanti, residia a família de Eduardo e Olga Klas Weigert (sobrinhos de minha bisavó, Rosinha Klüppel Soffiatti). Nos fundos, pela rua Paula Gomes, a casa dividia o muro lateral com a residência da família Pilotto, que ainda hoje existe no local e pertence ao governo estadual. Pelo lado direito, na rua Carlos Cavalcanti, a casa vizinha pertencia à família de Alexandre Gutierrez.
¹ A atual rua presidente Carlos Cavalcanti denominou-se, sucessivamente: rua Nova do Saldanha, rua do Serrito e rua Conselheiro Barradas.
ª Anna Reinhardt nasceu na Alemanha em 1876. Era parteira prática, formada em curso promovido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná. Foi diplomada em 29/03/1915, com certificado assinado pelos médicos Nilo Cairo e Victor Ferreira do Amaral, então diretor da Universidade. Residia na rua Inácio Lustosa, 416.
² Nicolau Klüppel era oficial sapateiro (schuhmacher geselle), formado pela corporação de ofícios (guilda) de sua região de origem na Prússia, conforme consta dos documentos do seu embarque no porto de Hamburgo. Nesta mesma anotação consta que a passagem de navio para o Brasil foi paga pelo lavrador Bernard Schneider, que viajou no mesmo navio, com sua mulher e filhos. Em sua chegada ao porto de São Francisco (SC), em dezembro de 1856, o escrivão fez constar sua profissão como sendo lavrador.
³ Friedrich (Frederico) Schnell, também nascido na Prússia, chegou ao Brasil com 25 anos, em 1862. Constou em seu registro de desembarque que era ferreiro de profissão, mas, sempre exerceu as atividades de ourives.
Obs.: Muitos imigrantes alemães com formação em corporações de ofícios, declaravam que eram lavradores ou ferreiros para embarcarem para o Brasil com passagem gratuita e obterem lotes de terra. As agências de colonização exigiam que os imigrantes trabalhassem na agricultura, ou em atividades relacionadas com esta, nas terras que eram destinadas nas colônias especialmente para este fim. Entretanto, muitos imigrantes que tinham profissões de ofício, ao chegar ao Brasil fugiam para os centros urbanos maiores para exercerem suas profissões especializadas com maiores rendimentos.
Nas antigas corporações de ofício dos países europeus que reconheciam as guildas como instituições oficiais de ensino profissional, como a Prússia, as profissões tinham três graus de formação: os aprendizes (sehrling); os oficiais (geselle) e os mestres (meister) desde a Idade Média. Os diplomas conferiam aos seus portadores prestígio profissional e salários melhores, quando empregados. As profissões organizadas em guildas eram de exercício exclusivo dos seus membros.
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
A Casa dos Meus Avós
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| A casa da rua Lamenha Lins, 203, no dia da sua inauguração. A casa visível à direita pertencia ao tio-avô Antonio Chalbaud Biscaia. |
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| A fachada da casa vista de outro ângulo. No canto direito da foto, aparece a ponta do automóvel de meu avô, um Plymouth Special de Luxe, 1947, azul marinho, placas 20-30, apelidado de Buck Jones. |
No início do século passado, do lado oposto da Dr. Pedrosa, existia um engenho de mate da família de Ascânio Miró, onde seu filho de mesmo nome construiu sua residência em meados dos anos 1930, há anos substituída por um grande prédio de hotel. Ao longo desta via residiam outros ervateiros, como Joaquim da Silva Sampaio, casado com Maria Carmen Chalbaud, irmã da minha bisavó, que viviam no número 134, numa mansão chamada Villa Maria, também próxima da rua Lamenha Lins, onde hoje se ergue o edifício Vitória Régia.
As antigas casas da rua Dr. Pedrosa, muitas das quais cheguei a conhecer na minha infância, já não mais existem e foram sucedidas por grandes edifícios. Ao tempo em que escrevo este post, naquela quadra da rua Lamenha Lins, restaram apenas os prédios construídos pelos tios avós Narciso e Frederico; a casa dos meus avós; a casa do advogado Arthur Faria de Macedo; e a casa do advogado João Baptista Nogueira e sua esposa Marina Chalbaud Carrano Nogueira, prima irmã de meu avô, a qual é ainda habitada por primos nossos.
Meus bisavós, Josefina Chalbaud Biscaia e João dos Santos Biscaia, residiam na rua Doutor Pedrosa, 203 (antes número 173) onde antes viveram meu trisavô, que também se chamava João dos Santos Biscaia e minha trisavó Maria José Ribeiro, a Maricota, que ali residiu até falecer em 1921. Esta casa antiga, uma das únicas que ainda remanescem na região, foi construída por meu trisavô em meados do século XIX. Ali nasceu meu bisavô, em 1881; e mais tarde, nasceram meu avô, seus cinco irmãos e uma irmã.
Os irmãos do meu avô, Narciso e Frederico Chalbaud Biscaia construíram um prédio de apartamentos ao lado daquela casa, na esquina com a rua Lamenha Lins, em lote que pertencia à tia deles, irmã do meu bisavô, Maria dos Anjos Biscaia (a tia dos Anjos) que morreu solteira. O irmão mais velho de meu avô, Antonio Chalbaud Biscaia, no começo dos anos 1940, construiu a residência de sua família (número 213) no terreno vizinho ao qual meu avô construiria a sua própria casa.
Os sons da campainha da rua, das campainhas internas de serviço e do telefone de baquelite negro em cima de uma mesinha ao pé da escada, todas com seus toques característicos, ainda ressoam nos meus ouvidos. Havia rádios, com design streamline, do pós-guerra e da década de 1950, em baquelite e galalite, além de um televisor Empire com seu gabinete em madeira de lei, com portas para proteger a tela, o qual meu avô comprou na mesma semana da inauguração da transmissão de programas de televisão em Curitiba, em 1960, pela TV Paranaense - Canal 12.
Do fundo da minha memória, o que resta da velha casa dos meus avós são as vozes, os odores, os sons, as cores e os seus próprios vultos reluzentes naquele lar em que foram felizes para sempre e onde passei parte importante de minha vida. Quando deixei a casa para morar em um apartamento em julho de 1976, num dia claro de sol aquecendo o úmido inverno curitibano, o que provocava um fenômeno de condensação que fazia as paredes "suarem" e escorrerem, minha avó me disse que "eram as lágrimas da casa, que chorava a nossa partida".
Por vezes ali retorno e vago pelos seus ambientes em visões diáfanas, nos meus sonhos mais profundos. Embora ainda pertença à nossa família, destinada a outros fins e muito desfigurada de sua aparência original, nunca mais tive a coragem de revisitar a casa da minha infância.
domingo, 12 de maio de 2019
Voar Com Asas Brasileiras
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| Desenho de propaganda oficial sobre o Muniz M-9 |
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| Aeronave Muniz M-9 fabricada no Brasil em 1939 |
Esses aviões e a empresa que os fabricava foram precursores da produção nacional de aeronaves que, décadas mais tarde, com o surgimento do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e da Embraer, tornariam a engenharia aeronáutica brasileira reconhecida mundialmente e os aviões fabricados no Brasil, com qualidade e excelência respeitada internacionalmente, voariam em países de todos os continentes.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Mario Chalbaud Biscaia e o Club Atlhetico Paranaense
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| O Dia - 28/12/1945: A manchete das vésperas da conquista do campeonato de 1945 pelo CAP |
| Homenagem da Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná (ACEP) aos principais dirigentes do futebol paranaense. (Diário da Tarde - 27/01/1949) |
Sem dar palpite, nem entrar no mérito das conveniências mercadológicas dessas mudanças, de fato, nenhuma novidade há nesta versão do nome do time, lembrando o aforismo latino, sempre estampado nas reedições de livros antigos ou esgotados: non nova, sed nove; ou seja: nada de novo, mas, de novo, novamente. Como se pode observar nos recortes de jornal acima, do início da década de 1930, a ortografia exigia o uso do "th" e a palavra clube ainda era um estrangeirismo escrito com "b" mudo. Seu arquirrival, o Coritiba FootBall Club nunca abandonou a grafia original do nome com o qual foi fundado no início do século XX, quando Curitiba se escrevia Coritiba.
Meu avô, Mario Chalbaud Biscaia, nutria algumas grandes paixões na sua vida, além de sua família: duas delas eram o futebol e o Club Atlhetico Paranaense, o seu sempre glorioso Furacão. A outra veio mais tarde: a Associação Paranaense de Reabilitação (APR) da qual foi um dos fundadores, na década de 1950, tendo sido um associado incansável e benemérito.
Ele dirigiu o departamento de futebol profissional do CAP, que hoje corresponde ao cargo de diretor de futebol, durante os campeonatos vitoriosos de 1945 e de 1949, quando o clube recebeu o título de Furacão, apelido pelo qual é conhecido em todo Brasil.
O livro Atletiba, A Paixão das Multidões, escrito por dois conhecidos e respeitados jornalistas esportivos do Paraná, Vinicius Coelho e Carneiro Neto, conta a história da conquista do emblemático título de 1949, cuja preparação começara em 1948, na gestão do presidente João Alfredo Silva, na qual meu avô foi vice-presidente e quando aconteceram várias contratações dos melhores jogadores da época. E, continua o livro: "No ano seguinte, tendo Itaciano Marcondes na presidência e Mário Biscaia como diretor de futebol, o Atlético fez por merecer o título de 'O Furacão'." (grifei) *
Em 24/06/1999, dia da inauguração da Arena da Baixada (que precedeu e deu origem ao atual estádio magnífico, construído para a Copa do Mundo FIFA de 2014 no Brasil) a coincidência do destino me fez sentar na cadeira ao lado da filha do presidente Itaciano Marcondes. Ali, no mesmo local, 50 anos depois da conquista do título de Furacão, estavam sentados lado a lado na arquibancada, a filha e o neto de dois homens que fizeram parte da história gloriosa do CAP e construíram os alicerces dos novos tempos.
Qualquer que seja o modo que seu nome seja escrito, a grafia, os modismos, as pessoas e os dirigentes sempre passam e, fatalmente, serão esquecidos, mas, a paixão pelo nosso velho Furacão permanecerá intacta e para sempre escrita da mesma forma. E, para terminar, como dizia meu avô: "Futebol é bola na rede. O resto é conversa fiada para boi dormir".
*Atletiba, A Paixão das Multidões; Vinicius Coelho e Carneiro Neto; editora Fundação Cultural de Curitiba; 1994; página 67.


































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