domingo, 12 de maio de 2019

Voar Com Asas Brasileiras

Desenho de propaganda oficial sobre o Muniz M-9
Aeronave Muniz M-9 fabricada no Brasil em 1939


Há oitenta anos, no dia 25 de abril de 1939, na ilha do Engenho, situada na baía da Guanabara, a Fábrica Brasileira de Aviões, sucessora da Companhia Nacional de Navegação Aérea (a primeira fábrica de aviões do Brasil), entregava ao Exército as cinco primeiras unidades do modelo M-9, que vinha com um motor mais potente e alguns aperfeiçoamentos técnicos em relação ao modelo anterior, o M-7, o primeiro avião fabricado em série no Brasil, com muitos componentes nacionais. O novo modelo era equipado com um motor britânico De Havilland Gipsy, de 200 HP, com seis cilindros em linha, refrigerado a ar. O avião foi idealizado pelo oficial da aviação militar, Antonio Guedes Muniz. O vôo inaugural das aeronaves, inclusive com manobras aéreas, foi realizado por um grupo de oficiais aviadores do Exército brasileiro, entre os quais meu avô, na ocasião primeiro tenente aviador Arthur Carlos Peralta. Acima estão fotos do modelo e a notícia publicada no jornal Correio da Manhã.

Esses aviões e a empresa que os fabricava foram precursores da produção nacional de aeronaves que, décadas mais tarde, com o surgimento do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e da Embraer, tornariam a engenharia aeronáutica brasileira reconhecida mundialmente e os aviões fabricados no Brasil, com qualidade e excelência respeitada internacionalmente, voariam em países de todos os continentes.     

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Mario Chalbaud Biscaia e o Club Atlhetico Paranaense

Novembro de 1947: Ofício do presidente João Alfredo Silva convocando Mário Biscaia para assumir a presidência interina do CAP. 

O Dia - 23/12/1931

Diário da Tarde - 14/01/1933


O Dia - 28/12/1945: A manchete das vésperas da conquista do campeonato de 1945 pelo CAP
1945

1947

1948

Homenagem da Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná (ACEP) aos principais dirigentes do futebol paranaense. (Diário da Tarde - 27/01/1949)

Nestes tempos em que os modismos e os marqueteiros trazem de volta as velhas grafias de nomes de times de futebol e, bem assim, camisas antigas entre outros badulaques, ditos vintage, resolvi republicar este post que mostra um pequeno flash back da trajetória do meu avô Mario Chalbaud Biscaia no seio do seu time favorito. O Club Athletico Paranaense, nosso velho e querido CAP, em fins do ano de 2018, às vésperas da notável conquista do seu primeiro título internacional e continental, a Copa Sul Americana, mudou seu escudo e voltou a usar o nome que tinha quando meu avô iniciou sua carreira como jogador amador e como dirigente do clube da Baixada do Rio Água Verde, na rua Buenos Aires, há mais de 85 anos.

Sem dar palpite, nem entrar no mérito das conveniências mercadológicas dessas mudanças, de fato, nenhuma novidade há nesta versão do nome do time, lembrando o aforismo latino, sempre estampado nas reedições de livros antigos ou esgotados: non nova, sed nove; ou seja: nada de novo, mas, de novo, novamente. Como se pode observar nos recortes de jornal acima, do início da década de 1930, a ortografia exigia o uso do "th" e a palavra clube ainda era um estrangeirismo escrito com "b" mudo. Seu arquirrival, o Coritiba FootBall Club nunca abandonou a grafia original do nome com o qual foi fundado no início do século XX, quando Curitiba se escrevia Coritiba.

Meu avô, Mario Chalbaud Biscaia, nutria algumas grandes paixões na sua vida, além de sua família: duas delas eram o futebol e o Club Atlhetico Paranaense, o seu sempre glorioso Furacão. A outra veio mais tarde: a Associação Paranaense de Reabilitação (APR) da qual foi um dos fundadores, na década de 1950, tendo sido um associado incansável e benemérito. 

Em novembro de 1947, Mário Biscaia assumiu a presidência do Atlético Paranaense por alguns meses, em decorrência do impedimento temporário do presidente João Alfredo Silva. Seria a primeira de muitas interinidades como vice-presidente, entre 1947 e 1949. Nesta época, a grafia do nome do CAP já havia se modernizado com a nova ortografia em vigor, como se pode notar no papel timbrado do clube, na foto inicial. 

Mário Biscaia ocupou cargos na diretoria do Atlético, em praticamente todas as gestões do clube entre 1931 e 1968, incluindo os tempos do Atlhetico médio, uma espécie de departamento juvenil da agremiação. Na diretoria do CAP foi secretário-geral e, por diversas gestões, foi o incansável tesoureiro do clube, em épocas de grandes dificuldades financeiras. Foi ainda vice-presidente e presidente interino.

Ele dirigiu o departamento de futebol profissional do CAP, que hoje corresponde ao cargo de diretor de futebol, durante os campeonatos vitoriosos de 1945 e de 1949, quando o clube  recebeu o título de Furacão, apelido pelo qual é conhecido em todo  Brasil.

O livro Atletiba, A Paixão das Multidões, escrito por dois conhecidos e respeitados jornalistas esportivos do Paraná, Vinicius Coelho e Carneiro Neto, conta a história da conquista do emblemático título de 1949, cuja preparação começara em 1948, na gestão do presidente João Alfredo Silva, na qual meu avô foi vice-presidente e quando aconteceram várias contratações dos melhores jogadores da época. E, continua o livro: "No ano seguinte, tendo Itaciano Marcondes na presidência e Mário Biscaia como diretor de futebol, o Atlético fez por merecer o título de 'O Furacão'." (grifei) *

Em 24/06/1999, dia da inauguração da Arena da Baixada (que precedeu e deu origem ao atual estádio magnífico, construído para a Copa do Mundo FIFA de 2014 no Brasil) a coincidência do destino me fez sentar na cadeira ao lado da filha do presidente Itaciano Marcondes. Ali, no mesmo local, 50 anos depois da conquista do título de Furacão, estavam sentados lado a lado na arquibancada, a filha e o neto de dois homens que fizeram parte da história gloriosa do CAP e construíram os alicerces dos novos tempos. 

A notória indiferença de sucessivas gestões do clube nas últimas décadas em relação à memória do CAP, que alguns gostariam simplesmente de apagar da história, relegou ao esquecimento muitos daqueles obstinados e abnegados dirigentes do passado, que edificaram os pilares dessa agremiação para as conquistas do presente.

Qualquer que seja o modo que seu nome seja escrito, a grafia, os modismos, as pessoas e os dirigentes sempre passam e, fatalmente, serão esquecidos, mas, a paixão pelo nosso velho Furacão permanecerá  intacta e para sempre escrita da mesma forma. E, para terminar, como dizia meu avô: "Futebol é bola na rede. O resto é conversa fiada para boi dormir".

*Atletiba, A Paixão das Multidões; Vinicius Coelho e Carneiro Neto; editora Fundação Cultural de Curitiba; 1994; página  67. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Família Avellar: A Gripe Espanhola - 1918



Manchete do jornal Correio Paulistano de 11 de novembro de 1918.

Notícia do falecimento de Maria José Ribeiro de Avellar e seu irmão Ângelo Ribeiro de Avellar, em decorrência da gripe espanhola (Correio Paulistano - 11/11/1918)

Convite de minha trisavó Leocádia de Avellar Simões, marido e filhos, sua irmã Emerenciana de Avellar Barbosa e sua tia Josephina Calvet, para a missa de sétimo dia de seu irmão João. (Correio da Manhã - 26/11/1918)

Convite da viúva e seus filhos João e Paulo para a missa pelo falecimento de João Gomes Ribeiro de Avellar e dos filhos Angelo e Maria José (Correio da Manhã - 24/12/1918)
Não há como terminar este ano sem relembrar uma das maiores catástrofes da história moderna da civilização, ocorrido há cem anos. A gripe espanhola, como ficou conhecida, teve seu trágico início em um campo de treinamento de soldados americanos no estado do Kansas, no interior dos EUA, com o aparecimento de uma cepa mortífera do vírus da gripe Influenza A. Com o deslocamento das tropas no teatro europeu, ao longo dos últimos meses da Primeira Guerra Mundial e o regresso destas aos seus países, após seu término, a gripe transformou-se numa pandemia global que matou mais pessoas que a própria guerra, afetando cerca de 50% da população do planeta.

No Brasil, a pandemia surgiu e, rapidamente, atingiu seu ápice em novembro e dezembro de 1918, ceifando a vida de mais de 35 mil pessoas, especialmente, em São Paulo e no Rio de Janeiro, as maiores cidades do país. O escasso conhecimento da época sobre as causas, as formas de contágio e o tratamento desta enfermidade letal era motivo de desesperança para os doentes, seus familiares e os profissionais da saúde envolvidos no seu combate. Como todas as pandemias causadas por vírus, após alguns ciclos de expansão e retração, ela desapareceu em fins de 1919, deixando um rastro de muitas dezenas de milhões de mortos, de sofrimento e de famílias devastadas.   

Minhas pesquisas revelaram um triste episódio na família Avellar, causado pela terrível pandemia, que provocou a morte de três pessoas - o pai, um filho e uma filha - num espaço de alguns dias. João Gomes Ribeiro de Avellar (filho homônimo de Jaco e neto homônimo do visconde da Paraíba) morava em São Paulo, onde era funcionário do Banco do Brasil. João era um dos irmãos mais novos de minha trisavó Leocádia Calvet de Avellar Simões. Em meados de novembro de 1918, em dois dias seguidos, sucumbiram em decorrência da gripe, dois dos quatro filhos de João: Ângelo Ribeiro de Avellar e Maria José Ribeiro de Avellar, com 20 e 19 anos, respectivamente. O próprio João seria vitimado pela gripe nos dias seguintes, com 44 anos de idade. Foi uma tragédia familiar que não podia ser esquecida neste ano do seu centenário. 

Entre os recortes de jornais daquela época, acima, destaca-se o comovente convite para a missa "pelo descanso eterno das almas" de João e seus dois filhos, mandada celebrar pela viúva, Maria Isabel Ângelo de Avellar e seus dois outros filhos, João e Paulo, e pelo sogro Manoel Lopes Ângelo, no dia 24 de dezembro de 1918, uma véspera de Natal como hoje, há exatos cem anos. 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Rosinha Klüppel e Guerino Soffiatti

Rosinha Klüppel 

Guerino Soffiatti

Meus bisavós Rosa Klüppel e Guerino Soffiatti. Ela filha de Carolina Probst e Nicolau Klüppel, nascida em Curitiba, em 1884. Ele filho de Pasqua Letizia Trevisani e Attilio Soffiatti, nascido em Correzzo, na província de Verona, Itália, em 1880. Casaram-se em 19/01/1901, na matriz do Senhor Bom Jesus dos Passos, em vila Deodoro, hoje Piraquara, município vizinho de Curitiba, onde os pais de Rosinha residiam na ocasião. Tiveram oito filhos, entre eles minha avó, Olga Soffiatti Biscaia, a caçula.  Guerino faleceu em 1950 e Rosinha em 1963. As fotos são da época do casamento.

Contam as histórias de família que Guerino apaixonou-se por Rosinha à primeira vista, mas, seu futuro sogro não permitia o namoro. Guerino, então, levou um banquinho de vime e, todos os dias a uma certa hora, sentava-se por um longo tempo à porta da casa de Rosinha, esperando ser recebido por Nicolau Klüppel para pedir permissão para o namoro. Segundo minha avó Olguinha contava, passaram-se semanas e, fosse na chuva ou no frio, Guerino continuava a sentar-se à porta, esperando  pacientemente ser recebido. Após um longo tempo, Nicolau teria dito a Rosinha que admirava uma pessoa com aquela persistência e, finalmente, convidou-o para entrar e autorizou o namoro do casal. Como nas melhores histórias românticas, casaram e foram felizes para sempre.


sábado, 5 de maio de 2018

Ainda Sobre Ludgero José Villet

1826


1846

Como disse antes, as pesquisas genealógicas familiares estão cada vez mais favorecidas pela constante publicação de livros antigos e registros na internet. O Google Books publicou recentemente novos documentos, que contém informações sobre a trajetória militar do meu tetravô Ludgero José Villet, pai da trisavó Maria Adelaide de Burgos Chapuzet Villet que junto com meu trisavó, o médico Antonio Botelho Peralta tornaram-se a matriarca e o patriarca do nosso ramo brasileiro da família Peralta, tendo chegado entre 1857 e 1858 ao Brasil.  

Os registros acima detalham momentos do início e do fim da carreira militar de Ludgero José Villet, como oficial de Infantaria do Exercito Português. O primeiro registra a incorporação de Ludgero ao Regimento de Infantaria número 4, no posto de alferes (equivalente a segundo-tenente, nos dias atuais), transferido das Companhias provisórias de Cabo Verde, no mesmo posto, onde foi ajudante de ordens de seu tio então coronel, João da Matta Chapuzet, governador do Arquipélago. A incorporação deu-se por decreto de 28/09/1826, publicado na Gazeta de Lisboa, número 240, página 985, em 12/10/1826.   

Quartel de Santo Ovídio na cidade do Porto - cerca de 1850

O segundo revela que em 1846, no posto de capitão, Ludgero José Villet comandava a 6ª Companhia do Regimento de Infantaria número 2, na cidade do Porto. O Regimento estava sob o comando do coronel Manoel Eleutério Malheiro e sediado no famoso Quartel de Santo Ovídio, no Campo da Regeneração (atual praça da República). A informação consta do Directorio Civil, Político, Commercial da Cidade do Porto e Villa Nova de Gaya, edição de 1846 da Typographia Commercial, página 81. Também consta que Ludgero residia na rua Bella da Princesa, nº 2 (hoje a conhecida rua de Santa Catarina). 

Segundo outros documentos que pesquisei e já publiquei neste blog (vide post), Ludgero José Villet foi reformado compulsoriamente, ou seja, transferido para a 3ª Seção do Exército, em 25 de outubro de 1846, num de ato de perseguição política da Junta da Patuleia, durante a famigerada revolução da Patuleia. Aparentemente, o ato foi definitivo e encerrou precocemente a vida militar de Ludgero José Villet. É de se registrar que Ludgero ficou pelo menos cinco anos longe das fileiras do Exército, acompanhando seu tio, o coronel João da Matta Chapuzet, num exílio forçado durante o período da usurpação de dom Miguel, o que certamente atrasou sua carreira.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Os Cem Anos de Olguinha Soffiatti Biscaia

Olguinha em 1921.


Itaperuçu no início dos anos 1920: Olguinha é a quinta criança da esquerda para a direita
Com meu avô Mario Chalbaud Biscaia, em 1967, defronte a igreja de Santa Teresinha, em Curitiba. 


No dia do seu casamento com Mário, em 28/05/1938, na casa de seus pais Rosinha e Guerino Soffiatti, na antiga rua Conselheiro Barradas, no centro de Curitiba. 
Com Mário, no baile de debutantes de minha mãe, Maria do Rocio Soffiatti Biscaia, em 1955, no Graciosa Country Club.


A primeira à direita, com as irmãs Geny e Leonor (a quarta e a sexta) e outras amigas em Guaratuba (1930).

Olguinha e Mário, na praia de Guaratuba, em 1940.

Com minha mãe no colo, em 1941, em Guaratuba, ao lado sua mãe Rosinha. Mais à esquerda, seu pai Guerino e sua cunhada Diva Bührer Soffiatti. Atrás, de chapéu, o pintor Guido Viaro, hóspede frequente da casa da família Soffiatti em Guaratuba.
Olguinha e seu pai Guerino Soffiatti na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 30/04/1936.  
Minha avó Olguinha, comigo em seu colo, ao lado minha bisavó Rosinha Klüppel Soffiatti e meu tio Mario Chalbaud Biscaia Junior, em julho de 1962, na sua casa em Guaratuba (PR).
Em 20 de abril de 1918, quando já sopravam os primeiros ventos frios no vale onde corre o Açungui, em Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba, nascia minha avó Olga Odilá Klüppel Soffiatti, depois Olga Odilá Soffiatti Biscaia ou, para nós que a amávamos, simplesmente Olguinha. Filha de Rosa Klüppel Soffiatti e Guerino Soffiatti, a caçula de oito irmãos e irmãs, os quais todos conheci, exceto Leonor, que faleceu ainda jovem. Minha avó sempre contou que teve uma infância muito feliz e foi amada e mimada por seus pais e seus irmãos.

Estudou no internato do Colégio São José e no Colégio Iguaçu. Casou-se em 1938, com Mario Chalbaud Biscaia e teve três filhos: minha mãe Maria do Rocio Soffiatti Biscaia; minha madrinha Vera Regina Biscaia Leme; e meu tio Mario Chalbaud Biscaia Junior. Conheceu todos os seus netos e grande parte dos seus bisnetos. Fui seu neto mais velho e tive a satisfação de um longo convívio com ela, morando na sua casa da rua Lamenha Lins, 203, e ao longo de uma grande parte de sua vida.

Olguinha tocou piano na juventude e, mais tarde, foi pintora premiada, catalogada entre os melhores artistas paranaenses. Desfrutei do seu carinho, de seus cuidados, de suas histórias, de suas memórias, de suas receitas, de suas pinturas, de seus conselhos e de tanto tempo juntos.

Tempos inesquecíveis, fosse em Curitiba ou nas maravilhosas temporadas de inverno e verão em Guaratuba. Incontáveis lembranças e uma saudade imensa, neste dia em que faria 100 anos. Uma presença iluminada e imorredoura, em minhas melhores recordações.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Dezembro de 2017: Cem Anos de Dyrce Miranda Peralta

Dyrce Miranda, em foto de 1935, ainda noiva de meu avô, Arthur Carlos Peralta, a quem dedicou a foto.  
Nos EUA, na porta do apartamento da Connecticut Avenue, 4600, em Washington, D.C., onde residiram entre 1961 e 1963.

Com seus filhos, em 1948, em Curitiba, na casa da rua Acyr Guimarães, próxima à futura praça do Japão.

A bordo de um navio, no porto de Buenos Aires,  no início da década de 1950. 
Numa recepção diplomática, em 1962, em Washington, DC.
Na escadaria frontal do casarão da fazenda do Guaribu, com as cunhadas, em meados dos anos 1930. 
À frente do meu avô, recepcionando o governador do Paraná, Paulo Pimentel, no baile do dia da Independência, no Círculo Militar do Paraná, em 1966.

Não há como terminar esse ano sem lembrar dos 100 anos de nascimento de minha avó paterna, Dyrce Miranda Peralta, completados em 19 de dezembro de 2017. Convivi muitos anos com ela e tenho as melhores recordações deste longo convívio, com quem aprendi muito e de quem guardo enormes saudades, bem como de minha avó materna Olga Soffiatti Biscaia

Ambas, para minha sorte e dos meus familiares foram longevas e deixaram saudades, além de filhos, netos e inclusive bisnetos, que as conheceram. Dyrce nasceu e faleceu em Niterói (RJ), cidade que amava. Era filha do capitão-de-fragata Álvaro Miranda, oficial da Marinha do Brasil e de Armanda Gomez Cummings, cidadã britânica nascida em Gibraltar, filha de militar britânico. Viverá para sempre nas minhas lembranças e nas de todos que puderam privar de sua companhia.      

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

José de Paiva Calvet de Avellar

José de Paiva Calvet de Avellar
(Foto do acervo de seus familiares)
Técnicos brasileiros e americanos da Madeira-Mamoré Railway, visitam as obras em 1910. José é o mais alto de terno escuro e chapéu claro. (Foto de Dana Merril, fotógrafo oficial da ferrovia - Arquivo Digital da Biblioteca Nacional)   

José, Mildred e seus filhos Ruby, Delza e Richard de Avellar
(Foto do acervo de seus familiares)
Mildred, José, filhos e amigos
(Foto do acervo de seus familiares)
Aviso do falecimento de José no jornal A Noite, de 19/03/1937. Convidam para o seu sepultamento, além de Mildred e filhos; o médico Carlos Grey, seu cunhado, viúvo de sua irmã Adelaide de Avellar Grey; Gentil França, casado com Esther de Avellar Barbosa França e Mario Affonso de Avellar Barbosa, ambos filhos de sua irmã Emerenciana de Avellar Barbosa.    

As minhas pesquisas de genealogia familiar aos poucos foram revelando alguns parentes que o tempo, a distância e o crescimento das famílias afastaram das nossas memórias familiares. Um deles é José de Paiva Calvet de Avellar, filho de Emerenciana Calvet de Avellar e João Gomes Ribeiro de Avellar, o Jaco. Era o irmão mais novo de minha trisavó Leocádia Calvet de Avellar Simões. Nasceu em Niterói (RJ), em 08/07/1876 e foi batizado na matriz de São João Baptista, em 15/06/1877. É possível que, após o falecimento dos seus pais, quando tinha 15 anos, José tenha ficado sob os cuidados de sua irmã mais velha, Emerenciana (que tinha o mesmo nome da mãe) a qual se casou, em 29/06/1895, com José Joaquim Barbosa, que foi diretor da conhecida Fábrica de Tecidos Confiança.    

José de Paiva Calvet de Avellar, ou simplesmente José de Avellar, como era mais conhecido, ganhou seu nome em homenagem ao seu avô materno, José de Paiva Magalhães Calvet, ilustre líder farroupilha gaúcho, deputado e oficial maior da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, nascido em 1808, em Porto Alegre e falecido precocemente em 1853, no Rio.

Minhas pesquisas revelaram que José esteve durante um longo período (entre 1904 até perto de 1915) na Amazônia, especialmente em Manaus, onde, entre outras ocupações, foi procurador geral da empresa responsável pelas obras da famosa Madeira-Mamoré Railway*. É referido como sendo engenheiro, em algumas notícias da época. Em outras, seu nome é precedido do título de major, talvez, da Guarda Nacional, cuja concessão era comum a personalidades de destaque, no Império e na República Velha.

Foi dos principais responsáveis pela coordenação das cerimônias de inauguração do terceiro trecho da ferrovia, em setembro de 1911. Os festejos incluíram uma viagem no navio Madeira-Mamoré até a cidade de Porto Velho, com inúmeras autoridades a bordo, entre eles Mr. A.B. Jeckill, sócio da empreiteira das obras e John Y. Bayliss, engenheiro chefe da ferrovia. Na ocasião, José pessoalmente representou Mr. R.H. May, outro sócio da empreiteira americana May, Jeckill & Randolph,  contratada pelo magnata Percival Farquhar para construir a ferrovia. José realizou viagens à Europa, neste período, com destino à Lisboa e Paris, à negócios da ferrovia.

Em fins da década de 1910, José casou-se com Mildred Williams, cidadã dos Estados Unidos da América, nascida em Clinton, no estado de Nova York, em 31/07/1895 e falecida no Rio, em 04/07/1985. Provavelmente, José conheceu Mildred em suas frequentes viagens aos EUA, onde passou a realizar negócios de exportação, que pode ter incluído café. Embora tivesse pouco mais de 15 anos quando seu pai faleceu, deve ter herdado deste as habilidades comerciais e o espírito empreendedor e adquiriu muitos contatos no comércio internacional, em sua experiência com a ferrovia Madeira-Mamoré. Jaco e seus filhos eram fluentes na língua inglesa.

O casal José e Mildred residiu nos EUA, possivelmente entre 1917 e 1930. Lá nasceram seus três filhos: Ruby de Avellar Moore (1919), Delza de Avellar Sullivan (1922) e Richard de Avellar (1924). Há inúmeros registros portuários das idas e vindas do casal entre Nova York e o Rio de Janeiro, neste período. Provavelmente, o crash da bolsa de Nova York em 1929 e a crise decorrente dessa, que foi desastrosa para a economia americana e mundial, tenha sido a causa do retorno de José e sua família ao Brasil. Mais tarde, seus filhos voltaram aos EUA, onde constituíram suas famílias. Richard faleceu no Brasil, em 1993. Delza faleceu em 2007, nos EUA.

José faleceu no Rio de Janeiro, no dia 19/03/1937, de causas cardíacas: "myocardite e collapso cardiaco", conforme consta da certidão de óbito, onde foi declarante seu sobrinho, Mario Affonso de Avellar Barbosa. 

Anos após o falecimento de José, Mildred casou-se com Hildebrando Dias de Oliveira, um conhecido editor de revistas sobre automóveis, moda e estilo de vida. Mildred deve ter sido das primeiras mulheres a possuir carteira de motorista no Brasil, pois, há registro de sua aprovação no exame para motoristas em 26/03/1932, no Rio de Janeiro.

Ainda sei pouco sobre a história de José e sua família, mas, graças à internet pude encontrar seus netos, alguns vivendo nos EUA e outros no Brasil. James de Avellar, que reside nos EUA, mandou-me algumas fotos de seu avós, em diversos períodos, a quem agradeço pela enorme contribuição às minhas pesquisas sobre as famílias dos descendentes de João Gomes Ribeiro de Avellar, o Jaco, da qual fazemos parte.   

P.S: Em minhas pesquisas encontrei referência a João Gomes Ribeiro de Avellar, filho de José de Paiva Calvet de Avellar e Maria Calvet de Avellar, nascido em 23/07/1904 em Manaus, no estado do Amazonas, qualificado como comerciante, casado e domiciliado no distrito eleitoral de Copacabana, no Rio de Janeiro. Não tenho qualquer informação sobre este filho de José, nem sobre sua mãe. É possível que José tenha se casado, durante sua permanência em Manaus, anteriormente ao casamento com Mildred, porque a mãe usa o sobrenome Calvet de Avellar. Esta referência consta da relação de eleitores do Boletim da Justiça Eleitoral, de 28/02/1935, na página 607. Em certidão, consta que este mesmo João Gomes Ribeiro de Avellar, casou-se em 02/02/1929, no Rio de Janeiro, com Petronilha Maria Pereira. Ele faleceu em 05/09/1984, com oitenta anos, no Rio de Janeiro, conforme certidão de óbito.

P.S.2: Na certidão de batismo de meu tio avô Waldomiro Antonio Peralta, em 04/07/1914, na igreja matriz do Espírito Santo, no Rio de Janeiro, consta que José de Paiva Calvet de Avellar foi seu padrinho.      

*A epopeia da construção dessa ferrovia pioneira, rasgada no coração da fechada e inóspita floresta amazônica, envolta em intrigas e escândalos políticos da época, e que custou as vidas de dezenas de operários brasileiros e estrangeiros, foi retratada na série de televisão Mad Maria. O título da série era o apelido da primeira locomotiva a vapor que apitou sobre seus trilhos.      

domingo, 2 de julho de 2017

Guerino Soffiatti: Momentos do Passado


Meu bisavô, Guerino Soffiatti com dois de seus filhos, Geny e Amanzor, no Jardim da Luz, em São Paulo, em 1921. (Photo Martins)

Guerino Soffiatti em Itaperuçu, onde residia, ainda parte do município de Rio Branco do Sul, em fins dos anos 1920. 

O casal Guerino e Rosinha Klüppel Soffiatti, meus bisavós, em fins dos anos 1940.

Guerino Soffiatti e sua filha, minha avó Olguinha, na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 1936.

Guerino e sua filha Leonor na praia de Guaratuba, Paraná, no começo dos anos 1930.
Minha avó Olguinha e seu pai Guerino, no Rio de Janeiro, em 1936. O fumo na lapela do paletó representava luto pela filha Leonor, falecida pouco antes, prematuramente. 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Mário Chalbaud Biscaia: Uma Homenagem de Cem Anos

Andando pela rua Quinze de Novembro, em inícios dos anos 1950 
No baile de debutantes de minha mãe, Maria do Rocio, em 1955, dançando com minha avó Olga Biscaia, no Graciosa Country Club.
No baile de debutantes de minha madrinha, Vera Regina, no Graciosa Country Club, em 1959. Com ele, minha avó Olga Biscaia, minha madrinha, minha mãe e a bisavó Josefina Chalbaud Biscaia. 
O casamento com Olga Klüppel Soffiatti, em 28/05/1938.
  
O "footing"na rua Quinze em meados dos anos 1940.
Um time de veteranos na velha Baixada do Atlético, em fins da década de 1940, para um amistoso pré-jogo oficial. Meu avô é o terceiro agachado, da esquerda para a direita. Todos esses foram, de algum modo, parte da história do CAP. Do lado esquerdo, Carlos Orlando "Xanga" Loyola e José Muggiati Sobrinho. (Publicada na coluna Nostalgia da Gazeta do Povo )

Na velha Baixada do Clube Atlético Paranaense, assistindo uma partida de futebol, atrás do gol dos fundos, ao lado de João Alfredo Silva, Joffre Cabral e Silva e outros diretores do clube, em 1938. (Publicada na coluna Nostalgia da Gazeta do Povo) 
Com minha avó, em frente à igreja de Santa Terezinha, em 1967.
Na praia de Guaratuba, no início da década de 1940.
A convocação para assumir a presidência do Clube Atlético Paranaense, em  1947, durante a ausência temporária do presidente João Alfredo Silva.

A homenagem da Associação Paranaense de Reabilitação (APR), da qual foi um dos fundadores e mantenedores, mandada afixar no túmulo de sua família, no cemitério municipal de Curitiba.

Há um século, no dia 27 de dezembro de 1915, em Curitiba, na rua Doutor Pedrosa, 175 (hoje 203), nascia meu avô Mario Chalbaud Biscaia, filho de Josefina (Finita) Chalbaud Biscaia e João dos Santos Biscaia . Lembro com muita clareza e saudade dele, do seu modo de falar e andar, da sua paixão pelo Clube Atlético Paranaense (CAP), da sua simpatia e sua amabilidade.

Era o penúltimo de oito irmãos: seis homens e duas mulheres, tendo a primeira falecido com menos de um ano de idade, na terrível pandemia da gripe espanhola. Casou-se com Olga Odilá Klüppel Soffiatti, em 28 de maio de 1938 e teve três filhos: Maria do Rocio, minha mãe; Vera Regina, minha madrinha e Mario Junior. Era um marido e um pai amoroso, uma pessoa de trato cordial e afável que, muito cedo, deixou o convívio de uma família cheia de saudades e de um incontável número de amigos e admiradores.

Foi comerciante em Curitiba. Tinha um grande espirito associativo, tendo participado de inúmeros clubes em Curitiba e no litoral do Paraná, destacando-se o CAP. Neste exerceu todos os cargos diretivos, inclusive a presidência interina por seis meses, entre 1947/48, além da direção de futebol do formidável scratch de 1949, que se tornou uma lenda no futebol do Paraná e conquistou o apelido pelo qual ficou nacionalmente conhecido: Furacão. Fundou, com outros amigos, a Associação Paranaense de Reabilitação (APR), entidade à qual se dedicou com especial carinho. Participou, ainda, da fundação do Iate Clube de Guaratuba e foi membro da Junta Comercial do Paraná, emprestando seu nome ao plenário de sessões.  

Dele herdei a paixão pelo rubro-negro paranaense, este clube que tem para com ele uma dívida inestimável pela abnegada dedicação em tempos dificílimos, ao lado de muitos outros apaixonados, que o mantiveram existindo para que as gerações de seus netos e bisnetos pudessem orgulhar-se de suas conquistas modernas. O tempo e a indiferença dos sucessivos dirigentes apagou da memória da instituição a grandeza do esforço dos seus construtores pioneiros, relegando-os ao esquecimento, que é uma grave forma de ingratidão.

Mario Biscaia sempre foi um homem de alma modesta, generosa e desapegada dessas vaidades. Neste seu centenário de seu nascimento, faço esta singela homenagem a um grande curitibano e um grande atleticano.