domingo, 27 de dezembro de 2015

Mário Chalbaud Biscaia: Uma Homenagem de Cem Anos

Andando pela rua Quinze de Novembro, em inícios dos anos 1950 
No baile de debutantes de minha mãe, Maria do Rocio, em 1955, dançando com minha avó Olga Biscaia, no Graciosa Country Club.
No baile de debutantes de minha madrinha, Vera Regina, no Graciosa Country Club, em 1959. Com ele, minha avó Olga Biscaia, minha madrinha, minha mãe e a bisavó Josefina Chalbaud Biscaia. 
O casamento com Olga Klüppel Soffiatti, em 28/05/1938.
  
O "footing"na rua Quinze em meados dos anos 1940.
Um time de veteranos na velha Baixada do Atlético, em fins da década de 1940, para um amistoso pré-jogo oficial. Meu avô é o terceiro agachado, da esquerda para a direita. Todos esses foram, de algum modo, parte da história do CAP. Do lado esquerdo, Carlos Orlando "Xanga" Loyola e José Muggiati Sobrinho. (Publicada na coluna Nostalgia da Gazeta do Povo )

Na velha Baixada do Clube Atlético Paranaense, assistindo uma partida de futebol, atrás do gol dos fundos, ao lado de João Alfredo Silva, Joffre Cabral e Silva e outros diretores do clube, em 1938. (Publicada na coluna Nostalgia da Gazeta do Povo) 
Com minha avó, em frente à igreja de Santa Terezinha, em 1967.
Na praia de Guaratuba, no início da década de 1940.
A convocação para assumir a presidência do Clube Atlético Paranaense, em  1947, durante a ausência temporária do presidente João Alfredo Silva.

A homenagem da Associação Paranaense de Reabilitação (APR), da qual foi um dos fundadores e mantenedores, mandada afixar no túmulo de sua família, no cemitério municipal de Curitiba.

Há um século, no dia 27 de dezembro de 1915, em Curitiba, na rua Doutor Pedrosa, 175 (hoje 203), nascia meu avô Mario Chalbaud Biscaia, filho de Josefina (Finita) Chalbaud Biscaia e João dos Santos Biscaia . Lembro com muita clareza e saudade dele, do seu modo de falar e andar, da sua paixão pelo Clube Atlético Paranaense (CAP), da sua simpatia e sua amabilidade.

Era o penúltimo de oito irmãos: seis homens e duas mulheres, tendo a primeira falecido com menos de um ano de idade, na terrível pandemia da gripe espanhola. Casou-se com Olga Odilá Klüppel Soffiatti, em 28 de maio de 1938 e teve três filhos: Maria do Rocio, minha mãe; Vera Regina, minha madrinha e Mario Junior. Era um marido e um pai amoroso, uma pessoa de trato cordial e afável que, muito cedo, deixou o convívio de uma família cheia de saudades e de um incontável número de amigos e admiradores.

Foi comerciante em Curitiba. Tinha um grande espirito associativo, tendo participado de inúmeros clubes em Curitiba e no litoral do Paraná, destacando-se o CAP. Neste exerceu todos os cargos diretivos, inclusive a presidência interina por seis meses, entre 1947/48, além da direção de futebol do formidável scratch de 1949, que se tornou uma lenda no futebol do Paraná e conquistou o apelido pelo qual ficou nacionalmente conhecido: Furacão. Fundou, com outros amigos, a Associação Paranaense de Reabilitação (APR), entidade à qual se dedicou com especial carinho. Participou, ainda, da fundação do Iate Clube de Guaratuba e foi membro da Junta Comercial do Paraná, emprestando seu nome ao plenário de sessões.  

Dele herdei a paixão pelo rubro-negro paranaense, este clube que tem para com ele uma dívida inestimável pela abnegada dedicação em tempos dificílimos, ao lado de muitos outros apaixonados, que o mantiveram existindo para que as gerações de seus netos e bisnetos pudessem orgulhar-se de suas conquistas modernas. O tempo e a indiferença dos sucessivos dirigentes apagou da memória da instituição a grandeza do esforço dos seus construtores pioneiros, relegando-os ao esquecimento, que é uma grave forma de ingratidão.

Mario Biscaia sempre foi um homem de alma modesta, generosa e desapegada dessas vaidades. Neste seu centenário de seu nascimento, faço esta singela homenagem a um grande curitibano e um grande atleticano.  

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Nicolau Klüppel: O Prefeito Maragato


Ato de nomeação de Nicolau Klüppel como prefeito de vila Deodoro, publicado em A Federação.
Comunicado oficial do prefeito Nicolau Klüppel renunciando a qualquer remuneração pelo exercício do cargo (jornal A Federação). 
Relação de contribuintes da subscrição para auxílio aos feridos na revolução. Entre estes aparece o nome da trisavó Carolina Klüppel, uma filha e uma nora. A subscrição foi promovida por seu genro, Manoel de Araújo Vianna, casado com Anna Klüppel Vianna.

Aspecto de Vila Deodoro (hoje Piraquara) no início do século XX. (Foto de Arthur Wischral).

A estação ferroviária de Piraquara, logo após a inauguração em 1885. ( Foto de Marc Ferrez).


O trisavô Nicolau Klüppel em foto de fins do século XIX


Em 1894, durante a revolução federalista, enquanto as tropas do caudilho Gumercindo Saraiva, chefe militar dos maragatos, ocupavam grande parte do estado do Paraná, foi instituído um governo provisório, sob a chefia de João de Menezes Dória, tendo sido a capital transferida de Curitiba para a cidade de Castro. 

O trisavô Nicolau Klüppel nesta época residia em Vila Deodoro (atualmente o município de Piraquara no Paraná), com parte de sua família e eram todos partidários da revolução federalista, tendo ajudado a financiar e apoiar as tropas de maragatos na região de Curitiba. Sua mulher e filhas contribuíram com recursos e ajuda aos combatentes feridos. 

Em 08/02/1894, o governador provisório Menezes Dória nomeou Nicolau Klüppel para exercer o cargo de prefeito municipal de Vila Deodoro, cujo território tinha interesse estratégico para os planos militares dos maragatos, pois controlava grande parte do trajeto da ferrovia que - ainda hoje - liga Curitiba ao importante porto de Paranaguá.

Durante sua curta gestão como prefeito municipal recusou, oficialmente, qualquer remuneração pelo cargo, comunicando a decisão ao governador e mandando reverter a verba em benefício do município, algo raro naquele tempo e absolutamente inédito nos dias atuais, entre os políticos. O ofício que remeteu ao governador foi publicado no jornal A Federação, órgão oficial do governo revolucionário.

Após o fracasso da revolução, a família Klüppel ainda viveu muitos anos em Piraquara. Meus bisavós, Rosa Klüppel e Guerino Soffiatti casaram-se naquela cidade em 19/01/1901. O casamento civil foi realizado na casa de Carolina e Nicolau Klüppel e a cerimônia religiosa foi celebrada na Matriz do Senhor Bom Jesus dos Passos.

A militância em favor da causa dos maragatos traria a Nicolau Klüppel dissabores políticos futuros. Em Curitiba, nos meses e anos que se seguiram à derrota da revolução, houve muitas vinganças políticas e mesmo fuzilamentos sumários de inúmeros partidários da revolução.

Nos anos de idade avançada o casal Carolina e Nicolau Klüppel passou a residir na casa de seu filho João Eduardo, em Ponta Grossa, onde ele faleceu em 1921, aos 92 anos, e ela em 1935, aos 94 anos, e lá estão sepultados. A tradição familiar, por meio de minha avó e tios-avós, sempre atribuiu a mudança dos seus avós para aquela cidade, ao ambiente político adverso aos maragatos e seus partidários, especialmente, na região de Curitiba.      

sábado, 17 de outubro de 2015

Há 50 Anos Na EOEIG


O DOU de 04/02/1965 com os atos de exoneração do brigadeiro Arthur Carlos Peralta das funções de presidente da Comissão de Estudos e Construção da Nova Escola de Aeronáutica e sua nomeação como comandante da EOEIG.
A posse no comando da EOEIG, em 10/03/1965,  na presença do comandante da V Zona Aérea, brigadeiro Doorgal Borges.



Em 10 de março de 1965, depois de quase uma década, meu avô Arthur Carlos Peralta e sua família, voltavam a morar em Curitiba. Já como oficial-general da Força Aérea Brasileira, retornou ao comando da Escola de Oficiais Especialistas e de Infantaria de Guarda (EOEIG), na base aérea do Bacacheri, que deixara em 1957. Foi sua escolha pessoal regressar à cidade que ele amava e admirava e ao comando da escola de formação de oficiais da FAB que ajudara a criar e pela qual tinha uma estima especial. Antes disso, havia exercido o comando do Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica, em Pirassununga (SP), que se tornaria a Academia da Força Aérea; e a presidência da Comissão de Estudos e Construção da Nova Escola. Era, por vocação e paixão, um educador e um construtor de escolas da FAB. As fotos e reportagens ilustram este retorno e outros momentos daquele ano. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Correio Aéreo Nacional: A Rota da Bolívia

Jornal A Noite - 13/08/1944 

Notícia do Correio da Manhã (RJ) - 07/03/1950

Inaugurada oficialmente em 1946, a rota ligando o Rio de Janeiro a La Paz pelo Correio Aéreo Nacional (CAN) teve expedições precursoras nos anos que antecederam. Em agosto de 1944, meu avô, então capitão aviador Arthur Carlos Peralta deu o passo inicial, comandando uma esquadrilha da Escola de Aeronáutica, que voou da capital federal até Santa Cruz de la Sierra, para homenagear a formatura de  oficiais aviadores bolivianos, façanha que o fez receber a comenda da ordem nacional "El Condor de Los Andes" (a mais alta condecoração daquele país andino) pelo pioneirismo e arrojo desta missão.        

Após várias negociações diplomáticas para a autorização da operação desta rota pelo Correio Aéreo brasileiro, no dia 20 de agosto de 1945, há setenta anos, pilotando o Beechcraft C-45 1349 da FAB, meu avô, juntamente com o major aviador Geraldo Menezes Silva e o segundo-sargento Erckonwalde de Barros Filho, faria a segunda viagem oficial do CAN à Bolívia, cuja ligação, inicialmente, findava em Santa Cruz de la Sierra. Somente em 5 de março de 1946 a rota até La Paz seria oficialmente inaugurada pelo Douglas C-47 (DC-3), pilotado pelo major aviador Geraldo Menezes Silva e pelo capitão aviador Paulo Cunha Mello, além dos sargentos Ewandro e Mariano, sobrepujando altitudes espetaculares sobre a cordilheira dos Andes.

Foi a expedição pioneira da esquadrilha da Escola de Aeronáutica, em 1944, que determinou a rota inicial mais segura e cimentou os laços de amizade que uniriam os esforços aeronáuticos dessas duas nações sul-americanas para o desenvolvimento das suas mútuas relações de cooperação continental.     

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Fotografias Coloridas - 1940/1950

Dyrce e Arthur Carlos Peralta, durante uma viagem de navio, no porto de Buenos Aires

No mirante do Cristo Redentor, no Corcovado, Rio de Janeiro, minha avó Dyrce Peralta, com meus tios Cláudio, no colo, Luiz Antonio e Paulo Fernando, e meu pai Carlos Henrique Peralta, agachados à frente.

 

Nas três fotos acima, minha avó Dyrce Peralta nas desabitadas e belas praias do Guarujá, no litoral de São Paulo. Ao fundo, o recém-construído edifício Sobre As Ondas, conhecido pela sua arquitetura arrojada.
Essas fotos coloridas foram tiradas em fins da década 1940 e no início da década de 1950 com uma das primeiras câmeras fotográficas, leves e portáteis, que reproduziam fotografias em cores. Em suas frequentes viagens aos EUA para realizar cursos de aperfeiçoamento de oficiais aviadores, meu avô Arthur Carlos Peralta, sempre trazia as novidades lançadas por lá, que só chegariam ao Brasil muitos anos depois. 

domingo, 1 de março de 2015

Cataratas do Iguaçu - 1940/50




Nas três fotos acima: meu avô Arthur Carlos Peralta, de jaqueta escurae minha avó, Dyrce Peralta, de casaco claro. Sentado à direita, em duas fotos acima, meu pai, Carlos Henrique Peralta, com seus irmãos Luiz Antonio e Paulo Fernando Peralta. Em pé, Carlos Orlando Loyola, o Xanga, e sua mulher Yara Vianna Loyola.






Fotografias das cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná, em diferentes ocasiões da década de 1940 e do início dos anos 1950. Em várias aparecem meus avós, Dyrce e Arthur Carlos Peralta, com filhos e amigos. Naqueles tempos, as grandes dificuldades de acesso faziam com que poucas pessoas pudessem conhecer essas maravilhas da natureza. Note-se, que algumas mostram as pessoas em lugares atualmente proibidos aos turistas. As duas fotos aéreas foram feitas da carlinga do avião pilotado por meu avô, em voos para o Correio Aéreo Nacional (CAN), no início dos anos 1940.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Ludgero José Villet

 
Ato de transferência de Ludgero José Villet para a reserva. ¹
Lista dos militares e civis portugueses emigrados (exilados) na Bélgica, em 1832 aptos a juntarem-se às tropas de dom Pedro.² 
Auto de juramento de lealdade ao governo de dona Maria II, firmado por Ludgero José Villet e por seu tio, o coronel João da Matta Chapuzet.²

Parte da relação dos oficiais de Estado Maior do Exército de dom Pedro e da respectiva lotação em serviço, durante a guerra da Restauração do trono à dona Maria II, onde consta o tenente Ludgero José Villet, nas funções de ajudante de ordens do Ten.Gen. Thomaz Guilherme Stubbs. (pags.25/26) ³


As pesquisas de todo gênero estão hoje muito favorecidas pela internet, tanto pelos documentos disponíveis em meio digital, quanto pelas informações que permitem obter documentos em meios físicos, junto a bibliotecas e em publicações de livros. As pesquisas sobre Ludgero José Villet, pai da trisavó Maria Adelaide de Burgos Chapuzet Villet Peralta têm avançado lentamente, mas, com um número cada vez maior de informações, tanto em meios digitais, quanto em meios físicos.

Por meio de diversas pesquisas, foi possível saber que Ludgero José Villet nasceu cerca do ano de 1805 e que ocupava, na arma de Infantaria do Exército português, o posto de capitão. Em reproduções encontradas na internet, sobre registros militares, o seu sobrenome constava com três grafias diferentes: Villete, Villeti e Vilete. Em uma carta escrita de próprio punho, em 1835, Ludgero assina seu sobrenome como sendo Villete. Nas certidões de batismo e casamento de sua filha Maria Adelaide, minha trisavó, seu sobrenome consta como Villet. Meu bisavô chamava-se Valdomiro Villet Peralta e todos seus irmãos utilizavam o sobrenome assim grafado.

Por meio da certidão de batismo da trisavó Maria Adelaide, em 1837, que obtive em pesquisas digitais, sei que ele nasceu em Lisboa e era filho de Ludgero José Villet e de Marianna Gertrudes Chapuzet, nascida em Lisboa e irmã do brigadeiro João da Matta Chapuzet (vide post). Era casado com Roza Adelaide de Burgos, natural da cidade de Burgos, na Espanha, filha de dona Roza de Burgos e de dom Felippe Fernandez, ambos espanhóis e residentes em Burgos. Nesta certidão consta que, na ocasião, residiam na rua 16 de Maio (atual rua dos Mártires da Liberdade), na Cidade do Porto. Nada sei sobre as datas de nascimentoª, casamento ou falecimento de Ludgero e Roza Adelaide.

Por meio de outros documentos digitais e de livros adquiridos em Portugal pude saber que Ludgero José Villet sentou praça muito cedo e, com pouco mais de dezessete anos, já no posto de alferes de infantaria, era ajudante de campo do governador do arquipélago de Cabo Verde, seu tio João da Matta Chapuzet, de quem esteve muito próximo durante grande parte da sua vida militar. Encontrei, ainda, documentos sobre o seu exílio (ao lado de João da Matta Chapuzet) em Bruges, Ostende e Dunquerque, para fugir das perseguições do reinado de usurpação de dom Miguel; e o juramento de lealdade que prestou à dona Maria II, como legítima rainha constitucional de Portugal, em agosto de 1830.

Sobre o exílio, sabe-se que centenas de civis e militares fieis à rainha dona Maria II, perseguidos pelo governo miguelista, que mandou executar sumariamente aqueles que sustentavam a causa da Restauração, exilaram-se em Plymouth, na Inglaterra. Contudo, tornaram-se um ônus demasiado para o governo britânico, obrigando-os a ir para a Bélgica, no que ficou conhecido como "depósito dos emigrados". Enquanto aguardavam que dom Pedro organizasse um "exército de libertação", ao qual se juntariam, os emigrados passaram por toda a sorte de privações, pela escassez de recursos para prover suas necessidades, que estavam a cargo do governo da regência, instalado na ilha Terceira dos Açores.

Foi ainda possível saber que em abril de 1833 regressou a Portugal e lutou nas tropas do Exército do duque de Bragança (dom Pedro I do Brasil – dom Pedro IV de Portugal) pela restauração do trono de dona Maria II. Fez parte do Estado Maior do Exército de dom Pedro, como ajudante de ordens do legendário tenente-general Thomas Guilherme Stubbs, barão e visconde de Vila Nova de Gaia, oficial dos Exércitos britânico e português, herói da guerra peninsular, que comandava o 4º Distrito, de Lordello à Senhora da Luz.

Finalmente, descobri quando, aparentemente, chegou ao fim sua carreira militar, com a transferência do capitão de infantaria Ludgero José Villet para a 3ª Seção do Exercito (a reserva), em 26/10/1846, por meio de ato da famigerada Junta Provisória (conhecida como Junta da Patuleia), que governou a maior parte do território português durante o período da guerra civil da Patuleia. Alguns desses atos, eivados dos ressentimentos políticos da ocasião, foram revogados posteriormente, mas, não foi possível saber se a aposentadoria precoce de Ludgero José Villet foi revista.

Mais que isso, ainda não pude encontrar, por ora. Neste ano de 2015, quando se completam 210 anos do nascimento de Ludgero José Villet, espero conseguir maiores e melhores informações.
     
¹ Publicado em "Os Titulares e os Oficiais da Patuleia" - Miguel Esperança Pina, Nuno Borrego e Lourenço Vilhena de Freitas - Ed. Tribuna da História - Lisboa - 2006).
² "Documentos para a historia das Cortes geraes da nação portugueza: coordenação auctorisada pela Câmara dos senhores deputados" - Imprensa Nacional - Lisboa - 1890 - (pags. 439, 440 e 539)  
³ "Lista Geral dos Officiaes do Exército Libertador referida ao dia 25 de Julho de 1833" - Typ. de A.J.C. da Cruz - Lisboa - 1835. 
ª  Considerando o ancestral costume português de dar nomes aos filhos segundo o santo do dia, seria lícito supor que Ludgero José Villet nasceu em 26 de março (dia de São Ludgero) ou em 19 de março (dia de São José). Assim, março parece ser o mais provável mês do seu nascimento.

Obs. 1: Ludgero José Villet teve um filho homônimo que veio ainda menor para o Brasil, provavelmente, junto com a trisavó Maria Adelaide, sua irmã mais velha. Este filho foi sócio de uma fábrica de cigarros e charutos no Rio de Janeiro, situada na rua de Bragança, nº5 e casou-se com Emília Mercês de Freitas, em Niterói (RJ), em 20/08/1869. Faleceu aos 43 anos, em junho de 1884, na cidade do Rio de Janeiro, vitima de tuberculose. 

Obs. 2: Ludgero José Villet e Rosa Adelaide de Burgos Villet tiveram outra filha, chamada Rosa de Burgos Villet, nascida em 22/01/1841 e batizada em 18/02/1841, na igreja de Nossa Senhora da Oliveira, na vila de Guimarães, em Portugal.   

Obs. 2.1: O casal teve ainda outros dois filhos: Filippe e Luiz Fernandez Villet, que faleceram em 20/05/1844, na freguesia de São Pedro de Miragaia, ambos vitimas de coqueluche, segundo o termo de óbito.  Um deles tinha alguns meses de idade o outro pouco mais de um ano de vida. Antes disso, em 15/03/1844, faleceu sua mãe Roza Adelaide de Burgos Fernandez Villet, na mesma freguesia. No óbito não constou a causa da morte. 

Obs. 3: Conforme certidão de batismo, Ludgero nasceu em Lisboa e foi batizado em 04/03/1805, na igreja de Santa Catarina, sendo que, na ocasião, seu pai e homônimo já havia falecido. (atualização de janeiro/2016)      

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Família Soffiatti em Guaratuba - 1930/1940

Meu bisavô Guerino Soffiatti, ao centro, em Guaratuba, Paraná, em 1933. Atrás dele está o dentista americano James Walter Lowry¹, amigo que se hospedava com sua família na casa dos Soffiatti.   

A família Soffiatti, amigos e parentes, nas pedras das Caieiras, em Guaratuba (PR), em 1933. Do lado esquerdo, de túnica escura, meu bisavô Guerino Soffiatti. Ao seu lado direito, minha avó Olguinha. Na mesma pedra, sentada à direita, minha bisavó Rosa Klüppel Soffiatti. Do outro lado, de branco, o dentista James W. Lowry¹, amigo da família e hóspede habitual em Guaratuba.

Guerino Soffiatti e sua filha Leonor, no início dos anos 1930, na praia central de Guaratuba. Ao fundo, o morro do Brejatuba.

As jovens da família Soffiatti e amigas em Guaratuba, no início dos anos 1930. A quarta da esquerda para a direita é Leonor Soffiatti, e a sexta é Geny Soffiatti. A primeira à direita é minha avó Olga Soffiatti.
A família Soffiatti em Guaratuba, defronte a casa da baía, em 1941. Meu bisavô Guerino está à esquerda, minha bisavó Rosinha Klüppel Soffiatti, à direita da foto. Ao centro minha avó Olga Soffiatti Biscaia, com minha mãe, Maria do Rocio Soffiatti Biscaia, no colo.  Atrás, de chapéu, o pintor Guido Viaro, amigo da família e hóspede frequente da casa dos Soffiatti em Guaratuba.

Meus avós, Olga Soffiatti e Mario Chalbaud Biscaia, na praia, em 1940.



A família de Guerino Soffiatti começou a frequentar Guaratuba, no litoral do Paraná, em fins da década de 1920, quando pouquíssimos curitibanos o faziam, até mesmo pela dificuldade do acesso entre Curitiba e aquela antiga cidade litorânea. Nos primeiros anos, hospedavam-se na famosa Pensão Antonieta, no centro da pequena vila. Já no início dos anos 1930, meus bisavós, Guerino e Rosa Klüppel Soffiatti, compraram uma casa térrea antiquíssima, defronte à baía de Guaratuba, que sofreu sucessivas reformas e ampliações, até ganhar as formas de um sobrado, que conserva atualmente. 

A família costumava viajar com frequência ao litoral, exceto durante o verão, porque a existência da malária (ou maleita) desaconselhava as temporadas de praia nesta estação. A malária somente foi erradicada após a segunda guerra mundial, com o despejo aéreo de toneladas de inseticidas, cuja toxicidade causou sequelas em muitos habitantes do litoral. 

A casa estava sempre cheia de convidados, entre parentes e amigos, sendo que as famílias do dentista James Walter Lowry e do pintor Guido Viaro eram habituais frequentadoras da casa dos meus bisavós. A partir de meados dos anos 1950, minha bisavó Rosinha Soffiatti, passou a residir permanentemente no balneário. A casa da família Soffiatti ainda existe em Guaratuba, em mãos de familiares.

¹ James Walter Lowry tinha consultório na rua Dr. Muricy, 110 e, depois, na rua XV de Novembro, 177, em Curitiba. Era casado com Irma Drissler Lowry.  Foi praticante de tiro esportivo e fotógrafo amador.  

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Emerenciana e Jaco: 150 Anos de Uma História de Amor



Assento do casamento de Emerenciana e Jaco, em 01/09/1863. Entre as testemunhas estava o senador Teófilo Ottoni, chefe do partido Liberal e amigo de ambas as famílias. (certidão obtida em Familysearch.com)  
Pouco nos damos conta de que, se alguns fatos no passado remoto não tivessem acontecido, não teríamos sequer existido. Assim, embora seja por demais óbvio, devemos nossa simples existência aos nossos antepassados, por meio de suas uniões e casamentos. Minhas pesquisas sobre João Gomes Ribeiro de Avellar, o Jaco, meu tetravô, revelaram fatos e documentos sobre sua singular história pessoal, familiar e profissional, bem como sobre a tetravó Emerenciana Cândida de Magalhães Calvet, que facilmente recheariam um grosso volume de um livro. Por isso mesmo, resolvi tratar neste post do casamento destes nossos emblemáticos antepassados, que faz 150 anos, neste mês de setembro. Emerenciana e Jaco casaram-se no dia 1º de setembro de 1863, em Niterói, capital da província do Rio de Janeiro, num "oratório decentemente preparado" na casa do tio-avô da noiva, João Antonio de Magalhães Calvet¹.

Na ocasião, Jaco era um jovem advogado, bacharelado em 1860, na turma nº 29, das gloriosas Arcadas do Largo de São Francisco, em São Paulo. Em pouco tempo, deixaria a advocacia como atividade principal para dedicar-se à política fluminense, como deputado provincial, sendo um dos principais líderes do partido Liberal na capital da província. Seu pai, o visconde da Paraíba, liderou o mesmo partido em Paraíba do Sul, por quase meio século. Os Ribeiro de Avellar, cafeicultores no vale do Paraíba fluminense, detinham razoável poder político e muitos familiares ocuparam posições importantes no governo provincial e imperial.

A notável influência política pessoal de Jaco na província e na capital do Império continuaria ao longo de toda a sua vida, mesmo após encerrar seus dois mandatos na Assembléia provincial e tornar-se um dos mais importantes e prósperos comissários de café no Rio de Janeiro e inclusive, depois do advento da República. Seu prestígio e suas largas relações com personalidades, ministros, políticos, banqueiros, cafeicultores e advogados permitiram que viesse a empreender muitos negócios arrojados para o seu tempo, como a fundação da sociedade Gaffré, Guinle & Cia., da qual era o terceiro maior acionista. A concessão do porto de Santos em 1888 aos fundadores desta empresa, por noventa anos, que deu origem à Companhia Docas de Santos, foi obtida decisivamente por meio das relações pessoais de Jaco, no governo e na família imperial. Se a morte precoce não houvesse ceifado seus dias, aos cinquenta e quatro anos de idade, certamente, seria um dos maiores empresários de seu tempo.

A jovem noiva, Emerenciana, era filha de José de Paiva Magalhães Calvet², nascido em Porto Alegre, em 1807, líder revolucionário farroupilha, jornalista e deputado; e de Emerenciana Emília de Campos, de família fluminense. Magalhães Calvet presidia a Assembleia provincial rio-grandense quando irrompeu a revolução Farroupilha. Durante a guerra dos Farrapos, foi feito prisioneiro junto com Bento Gonçalves, na batalha do Fanfa, em 1836. Por meio de habeas corpus foi libertado, em outubro deste ano, e enviado para o Rio de Janeiro, por ordem do regente Diogo Antonio Feijó, em exílio forçado do seu amado Rio Grande do Sul, para onde foi proibido de voltar: a pena mais dolorosa para um legítimo gaúcho. Foi anistiado em agosto de 1839, por decreto do regente Pedro de Araújo Lima. 

Permanecendo na Corte, em 1842, Magalhães Calvet foi nomeado oficial maior da Secretaria de Estado dos Negócios do Império. Elegeu-se, naquele ano, deputado à Assembleia geral, pelo Rio Grande do Sul. Eleito, mais uma vez, em 1853, morreu prematuramente, em julho do mesmo ano, sem fortuna, deixando seus filhos órfãos e em tal situação, que o imperador mandou aprovar o Decreto nº 705 de 03/09/1853, concedendo pensão anual de 800 mil réis para o sustento destes, até que atingissem a maioridade. Preocupado com o destino das filhas de Magalhães Calvet, o próprio dom Pedro II se empenharia, pessoalmente, em arranjar bons casamentos para as três: Adelaide, Emerenciana e Josefina, de acordo com os costumes da época, para garantir-lhes uma vida confortável no futuro. Enquanto isso não acontecia, emitiu o Decreto nº 898 de 11/07/1857, fazendo com que elas recebessem a pensão do governo imperial, mesmo após a maioridade, enquanto fossem solteiras.

José de Paiva Magalhães Calvet, pai de Emerenciana. Reconhecido como grande orador, é considerado um dos mais importantes líderes da revolução Farroupilha
Uma das possíveis hipóteses da aproximação entre Emerenciana e Jaco pode ter sido a interferência do monarca junto ao pai deste, o barão e, depois, visconde da Paraíba. A mais provável é a de que foram apresentados pelo irmão dela, José de Paiva Magalhães Calvet, colega de Jaco na Academia de Direito de São Paulo (formado em 1859, na turma nº 28) de quem tornou-se amigo e foi quem o indicou à admissão no Instituto da Ordem dos Advogados Brazileiros, em 1862. Este irmão de Emerenciana, homônimo do pai, foi destacado advogado na Corte, deputado provincial fluminense e, mais tarde, já no período republicano, foi diretor do Banco do Brasil por longo período. O Doutor Calvet, como era conhecido, casou-se em 1869, com Porcina de Avellar e Almeida, filha dos barões do Ribeirão, que residiam em Vassouras.

Muitas são as possibilidades sobre porque, como, quando e onde se conheceram e, afinal, a imaginação governa o mundo, dizia Napoleão. Na nossa tradição familiar, em tudo que ouvi sobre o casal, de minha bisavó, de meus avós e tios-avós, as histórias sempre falavam de um amor incomum entre eles, apaixonados por toda a vida, e da morte dela, logo depois dele, como se poderia encontrar nas páginas de um belo romance oitocentista. Tudo o que encontrei sobre o casal - e não foi pouco - em minhas pesquisas, apenas reafirma as histórias que escutei. Ambos morreram na terrível epidemia de febre tifoide que grassou no Rio de Janeiro, na última década do século XIX. Esta doença apresentava sintomas que levavam à morte por fraqueza e inanição. Ele faleceu em novembro de 1890. Ela, em janeiro de 1891. Nas histórias contadas em nossa família, dizia-se que ela havia morrido de amor, de paixão, de tristeza pela falta do seu Jaco e fora definhando aos poucos. Em homenagem a ambos, prefiro acreditar que foi por isso e não em decorrência de uma prosaica febre typhica. 
  
Para nós, seus descendentes, que aprendemos a amar suas memórias por meio das histórias que nos foram contadas pela sua neta, minha bisavó Neném, nas noites de tempestade e sem luz elétrica, no velho casarão da fazenda do Guaribu, que pertencia ao casal Jaco e Emerenciana, o mais o importante é que se casaram, permitindo que um dia existíssemos. Assim, hoje eu posso contar a história de amor da vida deles o que é, em si mesmo, algo a comemorar, longos 150 anos depois. 


¹ João Antonio de Magalhães Calvet, tio do pai de Emerenciana, era casado com Rosa Amália de Campos, irmã da mãe desta. Com a prematura morte dos pais de Emerenciana, o casal Rosa Amália e João Antonio de Magalhães Calvet foram nomeados tutores dos sobrinhos órfãos e os criaram como seus filhos. Também colaborou na criação dos órfãos, outra irmã de sua mãe, Leocádia Augusta de Campos. João Antonio era funcionário do Tesouro provincial do Rio de Janeiro.   
²  José de Paiva Magalhães Calvet era neto materno de Manoel Antonio de Magalhães, nascido em Portugal em 1760, na vila trasmontana de São Bartolomeu de Vila Flor. Estabeleceu-se no Rio Grande do Sul, em fins do século XVIII. Foi administrador dos quintos e dízimos da Fazenda Real da capitania gaúcha. Escreveu em 1808, o conhecido Almanak da Vila de Porto Alegre, que foi remetido ao príncipe regente Dom João, contendo informações detalhadas da situação da vila e da capitania, quando da chegada da Corte portuguesa ao Brasil.          

sábado, 8 de junho de 2013

Família Soffiatti Biscaia: Olguinha e Mário


O casamento dos meus avós Olga Klüppel Soffiatti e Mario Chalbaud Biscaia, em Curitiba (PR), há 75 anos, no dia 28/05/1938. As fotos foram tiradas na casa dos meus bisavós, Rosinha e Guerino Soffiatti, na rua Conselheiro Barradas, 626 (hoje rua Carlos Cavalcanti), esquina com rua Mateus Leme, onde ocorreu o casamento civil. O casamento religioso foi celebrado na Catedral.

domingo, 14 de abril de 2013

Familia Peralta: A Pedra da Moreninha

Os jovens da família Peralta, na pedra da Moreninha, na ilha de Paquetá (RJ), em meados da década de 1930. A quarta, da direita para a esquerda, é minha avó Dyrce Peralta. Bem ao centro, meu tio-avô Valdomiro Antonio Peralta, o tio Valdo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Família Soffiatti: Itaperuçu - 1920

A foto do início dos anos 1920, mostra minha avó Olga Soffiatti Biscaia, ao centro, com seus irmãos e parentes, brincando sobre um cocho na fazenda do seu pai, Guerino Soffiatti, em Itaperuçu, municipio situado na região metropolitana de Curitiba. Guerino e seus irmãos possuiam terras naquela região, adquiridas por seu pai Attilio Soffiatti, quando se estabeleceram no Paraná, em 1890, após um período em São Paulo, emigrados da província de Verona, na Itália. Guerino manteve seus negócios na região até vender a propriedade, no início da década de 1930.