quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Nicolau Klüppel: O Prefeito Maragato


Ato de nomeação de Nicolau Klüppel como prefeito de vila Deodoro, publicado em A Federação.
Comunicado oficial do prefeito Nicolau Klüppel renunciando a qualquer remuneração pelo exercício do cargo (jornal A Federação). 
Relação de contribuintes da subscrição para auxílio aos feridos na revolução. Entre estes aparece o nome da trisavó Carolina Klüppel, uma filha e uma nora. A subscrição foi promovida por seu genro, Manoel de Araújo Vianna, casado com Anna Klüppel Vianna.

Aspecto de Vila Deodoro (hoje Piraquara) no início do século XX. (Foto de Arthur Wischral).

A estação ferroviária de Piraquara, logo após a inauguração em 1885. ( Foto de Marc Ferrez).


O trisavô Nicolau Klüppel em foto de fins do século XIX


Em 1894, durante a revolução federalista, enquanto as tropas do caudilho Gumercindo Saraiva, chefe militar dos maragatos, ocupavam grande parte do estado do Paraná, foi instituído um governo provisório, sob a chefia de João de Menezes Dória, tendo sido a capital transferida de Curitiba para a cidade de Castro. 

O trisavô Nicolau Klüppel nesta época residia em Vila Deodoro (atualmente o município de Piraquara no Paraná), com parte de sua família e eram todos partidários da revolução federalista, tendo ajudado a financiar e apoiar as tropas de maragatos na região de Curitiba. Sua mulher e filhas contribuíram com recursos e ajuda aos combatentes feridos. 

Em 08/02/1894, o governador provisório Menezes Dória nomeou Nicolau Klüppel para exercer o cargo de prefeito municipal de Vila Deodoro, cujo território tinha interesse estratégico para os planos militares dos maragatos, pois controlava grande parte do trajeto da ferrovia que - ainda hoje - liga Curitiba ao importante porto de Paranaguá.

Durante sua curta gestão como prefeito municipal recusou, oficialmente, qualquer remuneração pelo cargo, comunicando a decisão ao governador e mandando reverter a verba em benefício do município, algo raro naquele tempo e absolutamente inédito nos dias atuais, entre os políticos. O ofício que remeteu ao governador foi publicado no jornal A Federação, órgão oficial do governo revolucionário.

Após o fracasso da revolução, a família Klüppel ainda viveu muitos anos em Piraquara. Meus bisavós, Rosa Klüppel e Guerino Soffiatti casaram-se naquela cidade em 19/01/1901. O casamento civil foi realizado na casa de Carolina e Nicolau Klüppel e a cerimônia religiosa foi celebrada na Matriz do Senhor Bom Jesus dos Passos.

A militância em favor da causa dos maragatos traria a Nicolau Klüppel dissabores políticos futuros. Em Curitiba, nos meses e anos que se seguiram à derrota da revolução, houve muitas vinganças políticas e mesmo fuzilamentos sumários de inúmeros partidários da revolução.

Nos anos de idade avançada o casal Carolina e Nicolau Klüppel passou a residir na casa de seu filho João Eduardo, em Ponta Grossa, onde ele faleceu em 1921, aos 92 anos, e ela em 1935, aos 94 anos, e lá estão sepultados. A tradição familiar, por meio de minha avó e tios-avós, sempre atribuiu a mudança dos seus avós para aquela cidade, ao ambiente político adverso aos maragatos e seus partidários, especialmente, na região de Curitiba.      

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